segunda-feira, 8 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
NENHUM GOVERNANTE, FALA
NISTO... PUDERA...!!!!!!
O que a Troika queria aprovar e não conseguiu!!!!!!----
2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.
3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.
4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados*?
6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.
7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.
8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.
9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo
País;.
10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento as horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...
11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.
12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.
13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.
14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.
15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES RINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.
16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.
17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.
19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.
20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.
21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.
22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).
23. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".
24. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;
25. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".
26. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não
prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.
27. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
28. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.
29. Pôr os Bancos a pagar impostos.
Postagem FB de Pedro Matos Trigo
Diálogo ficcional (mas tão real...) entre o primeiro-ministro francês e tutor do rei Luís XIV, o cardeal Mazarin, e o aspirante a (e futuro) ministro das Finanças, Colbert:
Os tempos e os regimes mudam mas as motivações das pessoas mantêm-se. Le Diable Rouge é uma peça teatral de 2008, com autoria de Antoine Rault.
O extracto seguinte, dela retirado, é um diálogo entre Colbert e Mazarin, passado noutro tempo e noutro lugar, no reinado de Luís XIV, em França. Mas bem poderia ter tido lugar hoje em Portugal. Ou em 2008 neste mesmo Portugal.
Colbert: – Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…
Cardeal Mazarin: – Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado… é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!
Colbert: – Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criámos todos os impostos imagináveis?
Mazarin: – Criando outros.
Colbert: – Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarin: – Sim, é impossível.
Colbert: – E sobre os ricos?
Mazarin: – Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: – Então como faremos?
Mazarin: – Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer, e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!
Vamos à luta?
Por Pedro Santos Guerreiro:
Há momentos de descontinuidade na percepção da realidade. Como a perda de gravidade acima de uma certa altitude ou o silêncio sepulcral quando se passa a velocidade do som. O "enorme aumento de impostos" de ontem parece um desses momentos. O momento em que se pára. O momento em que já nada se percebe. O momento em que as mil perguntas já não atravessam a barreira dos dentes. Pedem-nos tudo, explicam-nos pouco, prometem-nos nada.
E nós, vamos à luta?
É uma ironia cruel: Portugal está a vencer a batalha dos mercados no mesmo passo em que perde a batalha do país. Somos louvados, ganhámos um ano, temos as taxas de juro mais baixas desde o início da intervenção externa. E no entanto, estamos sobre um abismo em cima de cordões de sapatos.
O "aumento brutal de impostos" é uma resposta desesperada de um Governo cuja estratégia falhou e que não teve criatividade nem se preparou para outras medidas. Perante a derrapagem do défice, Passos Coelho perdeu o tino e anunciou a medida estupidamente inteligente da taxa social única, que aniquilou a paz política e arruinou a paz social. Agora, o País está na esquina perigosa entre ser sucesso ou fracasso, Irlanda ou Grécia, singrar ou afundar-se na espiral recessiva. Perante o abismo, o Governo abriu a gaveta das possibilidades e tirou tudo de lá de dentro. Tudo. Caça com cão, com gato, com gão e com cato.
Este aumento de impostos é um grito. Não tem lógica, não tem política, não tem justiça, não tem estudos, não tem regras, não tem sequer coerência ideológica. É uma arma que metralha contra uma selva escura. Impostos, impostos, impostos. E é também uma súplica. Aos portugueses. Porque se as hipóteses de salvação são exíguas, elas serão nulas se o país estiver indisponível. Está o País disponível? Vamos "manter a coesão", como pede Vítor Gaspar?
Eis a grande questão. Saber se estamos para isto. Mais que na falta de criatividade nas medidas, mais que na falta de negociação externa, o Governo falha quando propõe um contrato aos portugueses com base numa única premissa: porque o País é deles. Nosso.
O Governo destratou os portugueses quando criou uma tropa de elite para tratar dos mercados e deixou vazia a cadeira da política, onde se fala ao povo. Agora, o Governo precisa do povo. Mas falha-lhe, não lhe dá o que povo exige. Merece. Precisa. A mobilização do povo exige premissas simples. Exige que além dos aumentos de impostos haja cortes de despesa no funcionamento do Estado - e o Governo está um ano e meio atrasado nisso. Exige equidade nos cortes, mas as medidas contra os lóbis são tíbias e tardias. Sobretudo: exige um propósito, luz no fundo do túnel, exige confiança. Exige verdade.
Não basta tocar o clarim para que os portugueses voltem para dentro do barco de que foram expulsos com a TSU. Não é possível fazer uma convocatória de um povo mantendo-o na insegurança perpétua e na ignorância permanente.
Como se faz a convocatória de um povo mantendo-o desinformado quanto à vida do seu País e de cada uma das vidas que o habitam?
Vítor Gaspar fez anúncios negros repletos de espaços em branco. É preciso preencher esses espaços em branco, há dados fundamentais desconhecidos.
Quais são os novos escalões de IRS?
Quem vai pagar mais e quanto mais?
O que é preciso poupar hoje para compensar mais tarde?
Acima de que valor um trabalhador da iniciativa privada perde mais do que um salário em 2013?
Qual é o máximo que um funcionário público pode perder?
E o mínimo que um pensionista pagará?
Quanto se vai pagar de IMI?
Que valor de salário vai sobejar depois do fim das deduções fiscais?
Em Maio de 2014, quando chegar o acerto do IRS, que surpresas haverá?
Como podemos acreditar que há equidade sem dados para percebê-lo?
Quanto vão pagar as concessionárias de PPP, se é que vão?
Qual é a taxa sobre transacções financeiras?
Que "grandes lucros" de empresas vão ser tributados?
Qual a dimensão da economia paralela?
Como será cortada despesa do Estado em quatro mil milhões de euros, como a troika obriga?
Vão despedir militares, polícias?
Vão cortar prestações sociais, subsídio de desemprego? Quanto? A quem?
Não é uma falácia dizer que os portugueses vão ficar melhor em 2013 do que ficariam com a TSU, quando muitos vão ficar pior que em 2012?
Como havemos de acreditar que a economia "só" decresce 1% no próximo ano?
O que nos garante que não entramos em espiral recessiva?
Por que razão a receita fiscal não quebrará no próximo ano se quebrou neste?
Quando acaba afinal esta crise? Em 2014? Em 2018? Em dois mil e nunca?
Que ambição podemos ter?
Que gerações têm esperança?
Que legado deixaremos?
Sem respostas, os portugueses não sabem sequer quanto dinheiro vão ter daqui a três meses, quanto mais se acreditam no País
Faltam cortes de despesa. Não há medidas de incentivo ao crescimento. O aumento do IRS é enorme. A julgar pela incidência, é preciso ganhar cada vez menos dinheiro para ter um "rendimento alto" para o fisco. Estamos mais pobres, mas há cada vez mais ricos.
Há um batalhão de gente neste momento a lutar pela País mesmo que parte dele não saiba fazê-lo. Cada português tem de decidir se acredita nisto. Se desiste, se se rebela. Ou se acredita, tira o sangue das pedras, paga impostos, luta pela sua vida e pela dos outros.
Sim, é uma decisão cada vez mais individual. Porque está a tornar-se uma decisão de fé. Para ocupar com palavras os milhões de espaços em branco.
Há momentos de descontinuidade na percepção da realidade. Como a perda de gravidade acima de uma certa altitude ou o silêncio sepulcral quando se passa a velocidade do som. O "enorme aumento de impostos" de ontem parece um desses momentos. O momento em que se pára. O momento em que já nada se percebe. O momento em que as mil perguntas já não atravessam a barreira dos dentes. Pedem-nos tudo, explicam-nos pouco, prometem-nos nada.
E nós, vamos à luta?
É uma ironia cruel: Portugal está a vencer a batalha dos mercados no mesmo passo em que perde a batalha do país. Somos louvados, ganhámos um ano, temos as taxas de juro mais baixas desde o início da intervenção externa. E no entanto, estamos sobre um abismo em cima de cordões de sapatos.
O "aumento brutal de impostos" é uma resposta desesperada de um Governo cuja estratégia falhou e que não teve criatividade nem se preparou para outras medidas. Perante a derrapagem do défice, Passos Coelho perdeu o tino e anunciou a medida estupidamente inteligente da taxa social única, que aniquilou a paz política e arruinou a paz social. Agora, o País está na esquina perigosa entre ser sucesso ou fracasso, Irlanda ou Grécia, singrar ou afundar-se na espiral recessiva. Perante o abismo, o Governo abriu a gaveta das possibilidades e tirou tudo de lá de dentro. Tudo. Caça com cão, com gato, com gão e com cato.
Este aumento de impostos é um grito. Não tem lógica, não tem política, não tem justiça, não tem estudos, não tem regras, não tem sequer coerência ideológica. É uma arma que metralha contra uma selva escura. Impostos, impostos, impostos. E é também uma súplica. Aos portugueses. Porque se as hipóteses de salvação são exíguas, elas serão nulas se o país estiver indisponível. Está o País disponível? Vamos "manter a coesão", como pede Vítor Gaspar?
Eis a grande questão. Saber se estamos para isto. Mais que na falta de criatividade nas medidas, mais que na falta de negociação externa, o Governo falha quando propõe um contrato aos portugueses com base numa única premissa: porque o País é deles. Nosso.
O Governo destratou os portugueses quando criou uma tropa de elite para tratar dos mercados e deixou vazia a cadeira da política, onde se fala ao povo. Agora, o Governo precisa do povo. Mas falha-lhe, não lhe dá o que povo exige. Merece. Precisa. A mobilização do povo exige premissas simples. Exige que além dos aumentos de impostos haja cortes de despesa no funcionamento do Estado - e o Governo está um ano e meio atrasado nisso. Exige equidade nos cortes, mas as medidas contra os lóbis são tíbias e tardias. Sobretudo: exige um propósito, luz no fundo do túnel, exige confiança. Exige verdade.
Não basta tocar o clarim para que os portugueses voltem para dentro do barco de que foram expulsos com a TSU. Não é possível fazer uma convocatória de um povo mantendo-o na insegurança perpétua e na ignorância permanente.
Como se faz a convocatória de um povo mantendo-o desinformado quanto à vida do seu País e de cada uma das vidas que o habitam?
Vítor Gaspar fez anúncios negros repletos de espaços em branco. É preciso preencher esses espaços em branco, há dados fundamentais desconhecidos.
Quais são os novos escalões de IRS?
Quem vai pagar mais e quanto mais?
O que é preciso poupar hoje para compensar mais tarde?
Acima de que valor um trabalhador da iniciativa privada perde mais do que um salário em 2013?
Qual é o máximo que um funcionário público pode perder?
E o mínimo que um pensionista pagará?
Quanto se vai pagar de IMI?
Que valor de salário vai sobejar depois do fim das deduções fiscais?
Em Maio de 2014, quando chegar o acerto do IRS, que surpresas haverá?
Como podemos acreditar que há equidade sem dados para percebê-lo?
Quanto vão pagar as concessionárias de PPP, se é que vão?
Qual é a taxa sobre transacções financeiras?
Que "grandes lucros" de empresas vão ser tributados?
Qual a dimensão da economia paralela?
Como será cortada despesa do Estado em quatro mil milhões de euros, como a troika obriga?
Vão despedir militares, polícias?
Vão cortar prestações sociais, subsídio de desemprego? Quanto? A quem?
Não é uma falácia dizer que os portugueses vão ficar melhor em 2013 do que ficariam com a TSU, quando muitos vão ficar pior que em 2012?
Como havemos de acreditar que a economia "só" decresce 1% no próximo ano?
O que nos garante que não entramos em espiral recessiva?
Por que razão a receita fiscal não quebrará no próximo ano se quebrou neste?
Quando acaba afinal esta crise? Em 2014? Em 2018? Em dois mil e nunca?
Que ambição podemos ter?
Que gerações têm esperança?
Que legado deixaremos?
Sem respostas, os portugueses não sabem sequer quanto dinheiro vão ter daqui a três meses, quanto mais se acreditam no País
Faltam cortes de despesa. Não há medidas de incentivo ao crescimento. O aumento do IRS é enorme. A julgar pela incidência, é preciso ganhar cada vez menos dinheiro para ter um "rendimento alto" para o fisco. Estamos mais pobres, mas há cada vez mais ricos.
Há um batalhão de gente neste momento a lutar pela País mesmo que parte dele não saiba fazê-lo. Cada português tem de decidir se acredita nisto. Se desiste, se se rebela. Ou se acredita, tira o sangue das pedras, paga impostos, luta pela sua vida e pela dos outros.
Sim, é uma decisão cada vez mais individual. Porque está a tornar-se uma decisão de fé. Para ocupar com palavras os milhões de espaços em branco.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Esta é a minha filha.....QUE FOI BRUTALMENTE AGREDIDA PELA PSP !!
Claro que foi aberto de imediato um processo crime e ela foi hoje vista por um médico do Ministério Público que ficou literalmente aterrado com o que viu,não só em todo o corpo como na mente (pois ela agora não consegue olhar de frente para um agente da PSP nem andar de combóio), e solicitou a entrega de um TAC à garganta que mandámos fazer, numa clínica privada, pois na ida ao Hospital S.Francisco Xavier, imediatamente após a agressão, não tinham equipamento para ver os tecidos moles do pescoço onde os punhos fechados de um dos agentes fizeram pressão, estando ela contra uma parede. O TAC acusou os danos.
Estava a viajar num comboio de Lisboa para a área de residência e saíu na estação perto de casa onde estavam 10 agentes que se juntaram aos 3 que vinham no comboio e onde tiveram problemas com um grupo de jovens que sairam 2 estações antes dela. Ela até vinha a dormitar. Saiu na sua estação e um conhecido que vinha com ela começou a ser de imediato agredido pelos agentes na gare.
Quando ela gritou a pedir para pararem de bater no jovem foi imobilizada e arrastada pela estação. Foi atirada de cabeça contra as cancelas de passagem dos passageiros tendo caido. O agente que a agrediu levantou-a pelos cabelos e arrastou-a pelos braços para dentro da esquadra localizada nas imediações da estação, onde a levou para uma área vazia a atirou contra uma parede e lhe espremeu o pescoço com os punhos fechados.
Não foi feito qualquer auto. Ela conseguiu telefonar-nos do telemóvel a pedir socorro porque foi espancada e estrangulada. O agente a quem ela passou o telefone disse não saber o que se passava ou o que o colega tinha feito (com a minha filha a gritar em background que era ele que a tinha espancado) mas que ela seria de imediato libertada pois não havia qualquer problema com ela.
Vamos amanhã a uma consulta da APAV para receber acompanhamento e formação sobre segurança pois parece provável que hajam retalizações segundo nos foi comunicado por diferentes entidades o que nos obriga a ter cuidados redobrados....
In João Penha-Lopes
https://www.facebook.com/joao.penhalopes
terça-feira, 29 de maio de 2012
A
"Menina nua"
Uma estátua que todo o Porto conhece...
Chamava-se, Aurélia Magalhães Monteiro, e era conhecida por Lela, Lelinha ou pela «Ceguinha do 9»
- para a eternidade ficará sempre a ser a
«Menina Nua» da Av. dos Aliados, ou ainda uma estátua que toda a cidade
conhece e aprecia.
Nasceu no dia 4 de Dezembro de 1910, na freguesia do Bonfim, e pouco tempo antes de falecer, dizia-me «que tinha sido uma das mulheres mais apreciadas e cobiçadas do seu tempo...». Vivia no rés-do-chão do Bloco 9, do Bairro da Pasteleira, numa casa simples e humilde com flores a enfeitarem a entrada e a sala de jantar. Um dia convidou-me a entrar e contou-me um pouco da história da «Menina Nua»:
- «Tinha 21 anos quando fiz de modelo para o Henrique Moreira, o mestre que
fez a estátua; mais tarde colocaram-me na Av. dos Aliados - que belos anos
aqueles! Estive duas semanas a «posar» e ainda hoje recordo com alegria e
saudade aqueles momentos de trabalho, pois posso morrer amanhã que todos
ficarão a saber quem era a Lela... Além disso, nessa altura, dava-me bem com
os artistas, era bonita e eles convidavam-me, andava por toda a parte, ganhei
uns «cobres» com o Henrique Moreira, mas hoje... resta-me a consolação de
estar ali, de costas voltadas para o Almeida Garrett e de frente para o D.
Pedro IV.
Perguntei-lhe nessa altura, se não tinham existido certos problemas com a estátua, a sua nudez, por exemplo: proibições, censuras? -«Ela respondeu-me - bem, sabe que naquela época, havia certos sectores que se opunham claramente e até ficaram escandalizados com a «Menina Nua»; nós éramos muito tacanhos, e veja bem que há 50 anos, a ideias eram realmente diferentes, havia o Salazar, a Pide e o povo era mais fechado, mais religioso - felizmente o mestre Henrique Moreira conseguiu «levar a água ao seu moinho», e lá fiquei de pedra e nua, assim como Deus me botou ao Mundo... (Sorriu de imediato, mostrando ainda réstias de um rosto bonito e de uma boca fina, onde rareavam já alguns dentes, vítimas do peso dos anos e das canseiras e desgraças da vida). -... Além disso, imagine uma «moçoila» no tempo «da outra senhora», a expor-se toda nua perante uns homens de tela e pincéis ou bocados de pedra, bem... era quase como ser comunista ou mulher da vida... Fez-se uma pausa para mandar-mos umas «bocas» contra o sistema do antigamente e prossegui nessa altura, perguntando-lhe:
- quando e onde tinha começado a
ser modelo? Antes de me responder, fica um pouco pensativa, levanta-se e
encaminha-se para o seu quarto, vasculha dentro do guarda-vestidos e traz-me
um amontoado de papéis e fotografias
- Vá, veja lá tudo isto, diz-me: (anotei
visualmente uma série de fotografias, pequenas referências, recordações e
memórias da «Menina Nua»): «... De qualquer modo e se a memória não me falha,
comecei com o mestre Teixeira Lopes, na figura-modelo da rainha D. Amélia,
esta estátua encontra-se actualmente no Museu com o mesmo nome, em Vila Nova
de Gaia. Nessa época, tinha muita vergonha - era uma «moçoila» com 18 anos,
bem feita e bonita -, a minha mãe tinha falecido e fiquei mais tarde com uma
madrasta, de quem por acaso não gostava nada, por isso mudei-me para o
Bonfim, para casa da minha santa avó. Que tempos... nessa altura, iniciei-me
como modelo nas Belas Artes do Porto e lentamente fui-me habituando, até que
fiquei mais descarada... (Levantou a cabeça, e numa reflexão interior com
risos de vaidade e inconformismo), continuou:... Ah, nesse tempo, punha a
cabeça dos rapazes em fogo, era bonita e não havia ninguém que não me
conhecesse como a «Menina Nua».
Depois passei alguns anos como modelo, andei
pelo Norte, pelo Sul e até a Lourenço Marques (hoje Maputo) eu fui - fiz de
modelo para vários mestres, entre eles: Acácio Lino, Joaquim Lopes, Dórdio
Gomes, Sousa Caldas, Augusto Gomes, Camarinha e os consagrados, Henrique
Moreira e Teixeira Lopes. Além da «Menina Nua», estou no Buçaco, no Cinema
Rivoli, em Lisboa e em Moçambique... e hoje? como vê aqui estou desde os 43
anos cega, uma vida difícil de adaptação, um mundo escuro, negro. E mais
negro se tornou, aquando da morte do meu marido, fiquei completamente só.
Hoje, passados alguns anos, tenho um casal a viver comigo, sempre me ajudam a pagar a renda e a «fazer-me» um pouco de companhia. Tenho umas ajudas do Centro de Dia da Terceira Idade, ligado ao Centro Social cá do bairro, onde vou almoçar e lanchar, enfim, sempre ajuda a passar o tempo e a velhice. Mas o que eu, mais desejava na vida, além de mais dinheiro para viver, era dos meus ricos olhos... (algumas lágrimas correram-lhe pelas faces, enquanto se preparava para ir almoçar ao Centro...)
Despedi-me dela, tentando consolá-la
com frases de carinho e amizade, mas... a vida é um cão que não conhece o
dono; ela despediu-se (nessa altura), com um bom dia, entrecortado com um
sorriso morgaiato, misto de Ribeira, Bonfim e Pasteleira...
Aurélia Magalhães Monteiro, a Lela, Lelinha, ou a «Ceguinha do 9», faleceu no dia 2 de Junho de 1992, com 82 anos de idade; no entanto a «Menina Nua», continua viva, fixa e eterna, ali na Av. dos Aliados envolta nos nevoeiros citadinos, perpétua e ardente, nos dramas e vitórias deste povo. (do livro Pasteleira City, de Raul Simões Pinto – edições pé de cabra – Fevereiro de 1994) Publicada por Agostinho Barbosa Pereira |
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
….fico com o dia estragado
Tenho andado um pouco arredado
deste meu cantinho, criado há já um ano e concebido pelo desafio de um amigo.
Nem sempre a vida nos proporciona a
possibilidade e a disponibilidade necessária para se fazer aquilo de que mais gostamos
e por vezes, aparte de o tempo passar a ser escasso, também outra substâncias
se metem de permeio e o que dá gozo e prazer, passa para segundo plano.
Nesta vida, uma grande parte é feito na base
das opções e das prioridades.
Uma das minhas rotinas diárias é, de manhã, passar os olhos
nos tabeloides e como dizemos em gíria popular “ler as gordas”, focando-me
somente naquelas notícias que me despertam a curiosidade e o interesse pessoal.
E há notícias que logo pela manhã conseguem estragar o meu
dia, levando-me a pensar se efectivamente vale a pena perder o meu tempo a ler
aquilo que outros dizem e que outros tantos escrevem.
Há coisas que me aborrecem sinceramente e uma delas
efectivamente é, fazerem-me passar por parvo, por burro ou até mesmo
mentecapto, coisa que não sou de todo e prezo por não ser.
Quando algum dirigente nacional se dirige às massas, presumo
que me engloba nesse todo e portanto, comigo estará também a tentar comunicar. Sou
pertença de um todo no que toca á nossa nação e assim sendo, considero ter de
levar a peito as afirmações de pessoas que no mínimo deveriam ser contidas na
sua explanação.
Sei que a situação actual do nosso País se deve a um
despesismo desmesurado durante os últimos 12 a 16 anos e que os actuais
governantes têm uma tarefa difícil pela frente.
Sei também que esse despesismo foi feito com a coerência do actual
partido no governo.
Sei que teve a concordância de pelo menos dois presidentes da
Republica, um deles o actual, pelo menos até ao momento em que deixou de lhe
ser benéfico pactuar com tal situação.
Sei que se o capital despendido e mal aplicado durante todos
esses anos saltasse do bolso deles, seria gerido de outra e melhor forma de
modo a ser rentabilizado e rendibilizado o mais possível e que muita, mas mesmo
muita gente, se governou á custa dos nossos impostos.
Sei também que temos de fazer um esforço para virar a agulha
e que o vamos conseguir fazer, mas não sei a que custo se fará e isso
amedronta-me.
Atendendo contudo ao nível de vida actual, à situação da
grande maioria das famílias portuguesas, aos níveis de desemprego, ao problema
de fome que já existe numa parte da população de norte a sul do País onde há já
crianças que vão há escola sem o pequeno-almoço tomado, revolta-me determinado
tipo de afirmações.
Apelo assim a todos
os nossos dirigentes e governantes o favor de serem mais comedidos nas suas afirmações
e aconselha-los a ter como livro de cabeceira, a declaração universal dos
direitos humanos em especial, a ler repetida e exaustivamente os seus artigos
XXII a XXV (http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm).
Se tal for conseguido
e puderem evitar determinado tipo de declarações, o meu agradecimento será
eterno já que por vezes…, logo de manha….,
….fico com o dia estragado.
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